Caso Thalyson Berg: O risco de falar alto e agir mal.


Thalyson Berg surgiu no cenário político de Nina Rodrigues como uma exceção. Eleito pela oposição em um ambiente amplamente dominado pela base governista, acabou se tornando, na prática, o único oposicionista ativo na Câmara Municipal. Em diversos momentos, é verdade, ergueu a voz, questionou, fiscalizou e exerceu um papel que é não apenas legítimo, mas essencial à democracia. Até então, construía uma imagem coerente com o mandato que recebeu das urnas e, mais do que isso, se credenciava para uma possível ascensão política futura.

No entanto, em Nina Rodrigues (nem em lugar nenhum) política não se sustenta apenas no discurso inflamado dentro das quatro paredes da câmara municipal. Mandato exige conduta ilibada, dentro e fora da Câmara. Como ensinam os mais velhos, quem tem rabo de palha não deve passar perto do fogo. E foi exatamente aí que Thalyson tropeçou. Um tropeço que pode custar agora seu mandato.

Seu nome, assim como o de sua família, passou a ser associado a um grave escândalo envolvendo repasses irregulares de recursos do Fundeb no município de Vargem Grande. Independentemente dos desdobramentos jurídicos, o fato é que a mancha política já existe e compromete diretamente a autoridade moral de quem se propunha a ser o fiscal rigoroso, o contraponto ético, a voz da coerência dentro da Câmara de Nina Rodrigues.

A partir desse episódio, surge uma pergunta inevitável: como se apresentar como referência moral diante dos erros alheios quando o próprio nome está envolto em suspeitas tão sérias? Não se trata de afirmar que Thalyson seja o pior entre seus pares. Longe disso. Mas, ao que tudo indica, revelou-se o mais amador, por permitir que, em pouco mais de um ano de mandato, e por uma situação tão irrelevante diante da magnitude do cargo que ocupa, uma trajetória que parecia promissora fosse colocada em risco por descuidos, imprudência ou más escolhas.

É triste constatar a perda de uma oportunidade rara. A oportunidade de ser diferente, de exercer a política com firmeza, coerência e princípios sólidos. A crítica, neste caso, não nasce do desejo de destruição, mas da frustração coletiva de quem esperava mais, muito mais, de alguém que tinha tudo para representar uma nova forma de fazer política em Nina Rodrigues.

A história segue, mas a lição permanece: na vida pública, não basta parecer correto. É preciso ser.

O que fica, por fim, não é o prazer da crítica nem a satisfação de apontar falhas, mas um sentimento sincero de tristeza. Tristeza por ver uma trajetória que despertava esperança se perder em meio a escolhas que não condizem com o papel público exercido. Não se trata de condenar, mas de lamentar. Lamentar que alguém que poderia simbolizar renovação hoje represente, para muitos eleitores, apenas uma oportunidade desperdiçada.

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